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6 dias intensos de ashtanga

Essa semana participei de um intensivo de yoga por 6 dias. foi uma experiência muito gostosa: conectar com novas pessoas, estar em grupo, praticar o que amo na força do coletivo. Sem dúvida o que me move desta prática é o intercâmbio com as conexões que surgem. Aprendemos tanto observando a nós mesmos diante dos outros, não é? Para quem não sabe, ashtanga é um método tradicional de prática que conta com 6 séries bem estruturadas, cada uma delas em uma sequência específica de asanas (posturas) que deve ser repetida 6x na semana. Como se não bastasse a importância da repetição quase diária, as séries vão ficando bem cascudas. Gosto do método pois me ensina resiliência através da disciplina, acreditar no valor das coisas que o tempo revela, trazer desafios para o meu corpo, e principalmente, me faz sentir na carne que eu posso respirar diante dos desesperos da vida. Faz muito tempo que não praticava meio a tanta gente; não vou negar, no início foi difícil, a energia dos outros influencia muito na nossa própria, durante a prática escutei e experimentei de tudo: gemidos, sustos, respiração fluida e travada, praticantes torcendo pelo próximo, o professor dando seus recados. Por outro lado, também escutei a serenidade do silêncio e do mergulho coletivo para dentro.



A verdade é que no intervalo de um estímulo externo e outro, respiro na esperança da constância e da tentativa de encontrar clareza dentro da minha caixa preta, também conhecida como: cabeção.


E é aí que se revelam meus próprios pensamentos, vejo o caos comendo solto. Lembro que antes de reagir a cada um dos meus próprios palpites, posso respirar. Sinto que apenas filmando meus erros é que posso tentar fazer uma melhor escultura do que gostaria de acertar. É minha gente, a caixa preta esconde o chumbo e o ouro, não tem jeito, a saída é mexer nesse solo denso sem ressalvas.

Para mim, me perceber é urgente, aguçando essa percepção sobre o tapete, estendo a possibilidade de trazer isso também para vida cotidiana. Ou seja, diante da falta de sensibilidade alheia, procuro respirar e refletir; diante do desacato e desrespeito que vemos no mundo, fica mais fácil para mim oferecer a compreensão.


Veja bem, não é apologia para se tornar mosca morta, pelo contrário, é um ato de sobrevivência, uma declaração de coragem por si mesmo. Em nome da sua energia interna e vital, entregue o amor sempre que possível. Já pensou na grandeza que isso tem?



É uma habilidade tão poderosa que me parece que você vai gostando de jogar o jogo. E então vai melhorando sua capacidade de entregar serenidade frente ao caos. Afinal tudo na vida só depende do olhar que lançamos para cada situação, já percebeu?


As demandas estão aí, pipocando sem parar, mas como operar bem esse equilíbrio? Como discernir prioridades sem sentir aquele esvaziamento que o mundo nos enfia goela abaixo? Como sentir que “já está bom por hoje” mantendo a fiel certeza de que é possível ter ambição e qualidade de vida?


Como se permitir sentir contentamento e gratidão verdadeiramente com o que já temos agora, com o que já conquistamos? Como não se exaurir nestes processos pantanosos? Mais uma vez não te entrego as respostas, mas te ajudo a recortar as questões.

Pela minha experiência, o yoga tem sido uma bela ferramenta, sobretudo neste método que, por vezes faz carinho e outras é na base da marretada mesmo. O veículo mais acessível que temos é esse corpo, a mente é um campo sutil, de difícil controle.


Mas nós conhecemos o corpo, sabemos como colocar um pé ali e a mão acolá, entendemos como afinar essa consciência por mais difícil que seja. "Encarnado é mais fácil", essa frase se tornou uma constante para mim. Portanto, para começar: conheça seu corpo, perceba suas travas, pesquise sobre a psicologia incutida em cada órgão e região.


Observe-se enquanto matéria de estudo usando o laboratório do corpo como sua pesquisa ativa. Precisamos urgentemente nos tornar PHDs da nossa própria morada. Já é hora de oferecer ao corpo o mesmo empenho que oferecemos a nossa vida profissional.

Essas têm sido verdades bem fortes para mim ultimamente. Uma postura após a outra vou encontrando meus medos reconfigurados. Vou afrouxando os nós que encontro ali, embalo como consigo naquele momento e trabalho na próxima. Assim, pouco a pouco vou separando minha matéria-prima, sentindo de novo e percebendo como muda todo dia um pouco.


Honrando minhas sensações pessoais percebo que valido meu existir em um lugar mais elevado, sutil. Percebo os padrões que podem surgir nas mensagens que me aparecem frente a dor e o desespero. E igualmente atenta escuto as mensagens positivas, guardando espaço na prática para ser alegremente impactada.


Disciplina não precisa doer nem ferir, ela pode ser feliz, leve, tenho aprendido muito mais assim. Sem esperar demais, mas esperando sim que possa apenas começar, todo dia um pouco.

Além disso, para mim essa prática desafiadora é um resgate da infância, da criança que gostaria de ter sido mas não tive condições. Então por si só sinto ser revolucionário, sou eu fazendo por mim mesma o que gostaria de ter recebido. Entende a potência disso?


Revogar o que é importante para mim e por mim, me parece uma coisa muito profunda e honesta. Portanto, em algum lugar é uma cura, um movimento de dentro para fora, um processo de desembaralhar todo dia mais um pouco, sem pressa, aguçando meu repertório feminino pautado pelo coração leve da minha criança que vive e resiste.

Agora te pergunto: como andam as suas práticas que te trazem de volta para casa? Como andam as pesquisas do que seria um resgate para ti? Como está o seu cuidado com aquilo que você reconhece que lhe traz energia boa no centro do peito? E por fim, queria que você pensasse comigo: o que nos custa mais, investigar essas questões ou viver uma vida inteira parecendo que ainda não vestimos as roupas certas? Conta para mim, vou adorar saber o que você tem inventado para se manter fiel ao teu próprio coração!

Vamos juntas?

Um beijo grande e até a próxima

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